Numa inesperada manhã, a Madame Angustia acorda preocupada. Como se seus sonhos estivessem mais e mais distantes. Ao levantar serena e sorridente, a jovem senhora olha ao redor como se o feixe de luz que adentrava as ventanas das janelas a distraíssem da realidade. Reanimada, ela vai ao quarto de sua irmã, a Dona Insegurança, e alerta que naquele dia fizera um ano desde o começo de uma nova estação de suas vidas. A Dona Insegurança, preocupada, não hesitou em temer mais uma vez algo que acontecera há tempos, revivendo o maior sentimento se sua irmã mais velha. Imediatamente, então, ela telefona à sua filha sra. Depressão, pedindo para que não saísse nem na rua, pois não deveria arriscar que algo novo pudesse acontecer. Desesperada, a sra. Depressão se vê em um conflito onde teria que escolher acatar aos pedidos patéticos de sua mãe ou simplesmente ir comprar seu pão como toda manhã o faz.
A filha inconformada lembra-se de que foi há um ano que sua tia havia ficado em estado de alerta. Mesmo não entendendo o motivo a reflexão levou ela a acatar... Logo olhos para o berço de sua filha, a pequena Esperança. Tenra e suave face fizera chorar. Pois sua covardia não permitia esquecer que, o que aconteceu à sua tia havia se repetido mais duas vezes no seguinte ano, talvez não na mesma intensidade, mas com pessoas que saíram do cotidiano comum para mexerem com a vida de cada uma e logo depois estranhamente partirem. A sra. Depressão não aceitava a condição porca em que influenciava sua filha, deixando-a dormir por mais tempo para que não percebesse que sua familia desestruturada estava em ruínas.
Entretanto, a pequena menina abre os olhos, levanta e vai brincar como num dia normal. Pois que nada havia acontecido a ela.
sábado, 20 de dezembro de 2014
Ruínas
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Uma madrugada a mais
Amizade.
Talvez dizer adeus seja mais fácil.
Nessa madrugada eu me peguei pensando em você.
Mas que tolice, talvez esteja delirando.
Essa dor que me consumiu agora é uma cicatriz.
Remediada, mas a mostra pra todos verem.
E se me perguntam como se deu essa ferida.
Respondo que fui eu, desastrado e imbecil
Mas você fugiu e não tem nada ver com isso.
No seu pensamento.
Você fez pior que pisar no meu coração
Pegou em sua mão e jogou no chão.
Abandonou bem escondido, ninguém encontrou
Imaginei que isso podia ser um sinal teu.
Hoje eu não sei, mas que ironia, se estou feliz
Se superar seja apenas remediar.
Pra todo mundo a cicatriz é marca na minha pele,
Mas essa marca irreversível é fruto da indiferença.
E agora, é isso que nos resta?
Amizade.
Talvez dizer adeus seja mais fácil.
Muito mais fácil.
E amanhã estará tudo normal novamente.
O meu sorriso e o mundo agindo normalmente.
Minha cabeça é que se confunde, ainda é difícil de assimilar
Mesmo depois de meses vocês voltou pra me assombrar.
Se eu me lembro bem essa pessoa que falo
Não sabe se expressar, talvez não possa falar
O quanto que sente, e por isso mente
Vai ter que aguentar.
A minha vida mudou, diga que exagero
A mesmice que vive é um caos total.
Eu posso estar falando tudo, mas vai só bastar
Uma palavra tua pra me fazer calar.
Não, eu não quero ver ninguém sofrendo
pois ao contrario eu me importo.
A água que sai de meus olhos deseja você
Mas eu não quero, já falei, eu aceitei perder.
E agora, é isso que nos resta?
Amizade.
Talvez dizer adeus seja mais difícil.
Quando você decidiu que eu ia partir
não acreditou que isso ia acontecer.
Não sou bobo, mas por ser antes
não sei se a verdade é aquilo mesmo que ouvi falar.
Enquanto isso o dia começa
e traz consigo mudança e renovação.
Ouvi falar que isso é bom
Eu vou estar bem, mas me preocupo pois o caos te perturba, eu sei.
E gira em minha mente saudades
de te abraçar e depois sorrirmos, só.
Hoje eu vejo em seu pulso que não me esqueceu.
Mas como eu sempre eu não sei, não tenho certeza.
Espectando sua vida em meus sonhos
Eu acredito que isso talvez possa piorar.
Tentei rezar, mas faz lembrar de primeira estrofe.
Eu tava bem até você voltar pra cá.
E agora, é isso que nos resta?
Amizade.
Talvez dizer adeus seja mais difícil.
Quase impossível.
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Tempo
Tá passando bem depressa
Ainda estou em apatia
Sou uma taça tão vazia
Que transborda e não cessa
Desde aquela conversa
Logo senti que iria
Planger essa dor tardia
Esquecendo minha possança
Compungido em rebeldia
Esperando tua resposta
Como nunca uma tão fria
Oh, meu deus, tão indisposta
Quero saber se um dia
Mesmo que o tempo imposta
Tu entendas agonia
Para ver se você gosta
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Instintivo
Ganhei um instinto de liberdade humana e rasguei minhas exaltações.
De qualquer forma você falou que estaria aqui. E essa angústia de relembrar de tudo, inclusive do tapa de verdades que você me deu. Hoje eu sinto saudades de um passado aparentemente utópico. Que mal eu fiz? É possível que todas as verdades anteriores sejam capazes de se ocultar com essa nova? Eu nunca exigi nada e mesmo assim ouvi de sua boca a promessa de uma segurança que hoje não tenho. Ah, se eu soubesse que você me faria sofrer tanto... Eu teria feito tudo do mesmo jeito. Por que amor é para sempre, mas a vontade de amar não.
sexta-feira, 14 de março de 2014
Silencioso
Hoje eu chorei seco. Minhas lágrimas invisíveis de medo deixaram claro a sobreposição das minhas alegrias pelo meu medo inexorável. As lembranças de um sonho ruim foram o estopim para uma série de pensamentos dolorosos pra alguém fraco desse jeito. Foram me corroendo. E eu, como se fingisse de vítima, gritava socorro. Tão alto para minha mente. Tão silencioso para os outros. Como se ao meu redor um isolamento acústico mental fosse estabelecido e somente eu ouvisse minhas lamentações e murmúrias.
Acontece que esse bloqueio tomou conta do meu dia e, com a resistência do lutar, tão corriqueira para mim, apenas fiz de sorrir... Vazio. Temeroso dessa incerteza, preferi permanecer sorridente e vazio a ter que, mais uma vez, implorar ajuda, mesmo sabendo que ela aparece. Pois isso me incomoda. Mais uma vez fui derrotado por esse sentimento de perda e descartabilidade, eu me compreendo, mas as feridas não estancam. Mais fácil seria se o mundo soubesse que um sorriso não significa felicidade.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Coragem
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Em seus olhos
que eu muito não podia.
Não sabiam que um dia
chegaria a um patamar.
Não que seja muita coisa
e que eu esteja ostentando.
Mas, é que antes do meu pranto,
vi o mal a gargalhar.
Me disseram que um dia
poderia retentar.
Comecei acreditando
eu me pus a imaginar.
Um anjo me visitou
e falou que em meus olhos
lá estava a verdade.
Contestou a sociedade
e me fez acreditar.
Mesmo que quase impossível
não abaixe a cabeça.
Não ser tolo, com certeza,
Só ter fé a te guiar."
