sábado, 24 de setembro de 2016

Incompleto

Sou intenso e cauteloso.
Destemido e medroso.
Certeiro e duvidoso.
Resguardo guardo dentro,
arredio, não insosso.

Fujo da armadura fria,
volto preso, com desgosto.
Não costumo ser direto,
está mais pra curto e grosso.

Dando voltas eu respiro,
faço dois ou três esboços.
Estimando, amando, inspiro,
falo, faço alvoroço.

Por enquanto guardo e piro
daí cresce o colosso
O estupor indevido
de falar, te adoro...

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Térmico

Eu já disse anteriormente
Tô escrevendo a mesma merda
O motivo, simplesmente
sei que ninguém mais acerta

A minha vida antigamente
era muito mais seleta,
hoje vejo com a lente
de alguém que não enxerga

Eu deduzi claramente
que sou eu quem nunca acerta
Não notei, praticamente
que sou eu quem não liberta

Vendo assim, tão friamente
mudar isso vira meta
Entretanto, o frio sente
no calor da primavera

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Atraso

Na fronte repousa o meu devaneio
Que pensa e que age de forma insegura
Disserta da vida um velho bloqueio
Procura no outro a possível cura

Eu vejo a destra demonstrar anseio
Apontando pra frente, esquecendo a amargura
A outra, portanto, reage em receio
Canhota errada na corda segura

Me conta, aparece, pra dizer que veio
Pra eu poder ver o sorriso e ternura
Com olho molhado, cerrado e cheio
Que um dia a terra comerá em secura

Eis que, em minha frente, aparece o espelho
E a desesperança portanto perdura
Mas logo depois, lá atrás... ajoelho
É você falando: "És meu, minha doçura"

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Estações

Essa noite vou contar
Que ainda não superei
Se me ponho à confessar
É por que eu já tentei

Janeiro era pra estar
Fevereiro já não sei
Esse plano de te amar
Nessa vida fracassei

Um mês foi pra acreditar
Que um dia eu sonhei
No verão poder estar
Ao lado de quem gostei

Hoje é março e vou ficar
Bem aqui onde eu pensei
Quando um dia eu superar
Bem mais forte ficarei

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Moinho

Faz um tempo que eu ajo
Como se fosse sozinho
É por que não me encorajo
E me perdi do caminho

Se hoje eu digo que avantajo
É que removi um espinho
Foi graças àquele gajo
Que girou o meu moinho

O fluxo então retornou
E, contigo, trouxe a paz
O otimismo me curou

Para o vento que se faz
Pro moinho que girou
E agora não pára mais