sexta-feira, 14 de março de 2014

Silencioso

Hoje eu chorei seco. Minhas lágrimas invisíveis de medo deixaram claro a sobreposição das minhas alegrias pelo meu medo inexorável. As lembranças de um sonho ruim foram o estopim para uma série de pensamentos dolorosos pra alguém fraco desse jeito. Foram me corroendo. E eu, como se fingisse de vítima, gritava socorro. Tão alto para minha mente. Tão silencioso para os outros. Como se ao meu redor um isolamento acústico mental fosse estabelecido e somente eu ouvisse minhas lamentações e murmúrias.
Acontece que esse bloqueio tomou conta do meu dia e, com a resistência do lutar, tão corriqueira para mim, apenas fiz de sorrir... Vazio. Temeroso dessa incerteza, preferi permanecer sorridente e vazio a ter que, mais uma vez, implorar ajuda, mesmo sabendo que ela aparece. Pois isso me incomoda. Mais uma vez fui derrotado por esse  sentimento de perda e descartabilidade, eu me compreendo, mas as feridas não estancam. Mais fácil seria se o mundo soubesse que um sorriso não significa felicidade.

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