Começou há uns 10 anos, quando éramos mais jovens. Obviamente. A emoção da idade não nos permitia enxergar as infinitas possibilidades que viveríamos. Ainda não tinhamos intimidade, porém as afinidades afloravam como o mato que víamos pela janela da sala de aula. Juntos conhecemos outros e outros que se juntaram às nossas idiotices e consolidaram o grupo que faltava. Moramos juntos, desmoramos. Fomos a festas, comemorações, vimos os familiares crescerem e choramos juntos diversas vezes. Vimos nossos despertares para o amor, observamos pra onde iria cada ex participante de nossas vidas amorosas. Criticamos as decisões uns dos outros, respeitamos quando um tomava uma que não concordassemos e acolhiamos quando o arrependimento batia. Sempre batia, mas sempre fomos teimosos.
Nos formamos, fomos pra longe. Conhecemos mais gente, mas sem parar de se falar. Continuando parte da vida um do outro. Descobrimos ainda mais coisas sobre nós, dessa vez com um atrasinho para contar ao outro. Conversamos e nos atualizamos. Às vezes logo, às vezes não. Percebi que nossa distância passou a incomodar quando minha presença não era mais solicitada e quando e foi solicitada não foi entendida e logo percebi que essa intimidade se tornara um grande fardo pois não sinto o carinho que antes vinha fácil. Hoje nossos papos levam um peso invisível de quem tem algo a dizer, mas prefere omitir. Pois sabe que esse algo, nada mais é do que a resposta de nossas perguntas nunca antes perguntadas... Pra onde você irá quando eu não estiver mais? O que você fará quando eu não fizer mais por você? Eu estou indo. Eu não posso fazer mais. Você vai continuar aí. Você vai seguir sua vida.
Eu também.
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