sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Seu

Vejo no meu passado seu sorriso me secando. Sua boca observando. E seus olhos me devorando. Curto tempo, muita vida. Felicidade aparecida. Deitado sob seu travesseiro, a luz do quarto acesa para melhor observação da vida que acontecia lá. Gesticulando quando não podia se ouvir suas promessas, talvez em vão. Incrédulo da possibilidade de começar a viver essa vida, da probabilidade de ter encontrado a sua. Confortável eram as noites calmas após os dias berrantes. Curado estava dos traumas que ela a vida me trouxe. Decidido então joguei ela fora pra esquecer tais absurdos. Adotei a sua. Com a certeza de que nunca precisaria reviver a vida desvivida que descartei. Pois ela voltou, somatizada. Traumatizada. Morta viva. Vida. Gritando a verdade. Se vingando com maldade. Para a minha insanidade. Foi-se então o futuro. Que, agora escuro, só revela que é tarde. Vida foi de repente. Aceitei por bem da gente. Pensando que novamente a vida te traria de presente. Mas você quis ir embora. Levou sua vida agora. E deixou minha alma doente.

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