quarta-feira, 11 de março de 2015

Esquizofrênico

Doce tormento, amargura disfarçada numa cara feliz. A cereja em cima do bolo. A mosca em cima da merda. O amor expressado com afeto ou com ódio. O ódio expressado com um tapa ou com um sorriso educado. Ah. QUE DIFERENÇA FAZ?! O discurso bonito, cheio de palavras bonitas e positivas hoje são lembranças vagas que medeiam a dúvida entre o que é verdadeiro ou o que é falso. Pedaços de mim perdidos ao relento a cada frase relida. Prédios implodidos, alicerces derretidos, frases nunca ditas, desperdício de tempo. De tempo. De tempo. De tempo. De tempo! Um ano! Há um ano esse sentimento declarado, materializado em ondas sonoras proferidas por minha boca, chegou em seus ouvidos. Não sei se cedo, ou não sei se tarde, depende do tempo, e eu não sei. Talvez por pressão de saber que tais ondas já haviam chegado a ouvido de outrem. Talvez por por pressão da minha consciência. De fato tais vibrações sonoras bizarras formando o conjunto de fonemas que, combinados, formam "eu te amo" na transdução ingênua do nosso aparelho auditivo. Esse tempo de um ano é pouco ante os quase vinte outros passados ao qual eu nunca fui capaz de proferir tais fonemas à ninguém. Só à você. Logo você. Que não tinha nada a ver com a história, hora. Mas me cativou. Se tornou o maior motivo das minhas palavras escritas, em todos os aspectos. É. Logo então pensei que estava tudo certo, veja. Tu aqui e eu ali. Eu lá e tu cá. Tu cá e eu aqui, junto à você. Eu na merda e tu escondido. Tu na lama e eu na cama neste momento pensando que diabos está me levando a pensar em ti agora. Novamente. Releio tudo. Me lembro. Rio. Você não se expressa.

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