Antes de tudo quero esclarecer que é um texto pseudônimo e não tem nenhum compromisso com a minha ou a realidade de alguém. Não me pergunte o porquê, mas simplesmente me deu vontade de fazê-lo, acontece.
"Sinto que partirei, não adianta buscar adiar o inevitável. Mesmo sabendo que todos estão tentando ajudar, minha despedida é uma circunstancia irremissível, no entanto não posso olvidar olhar nos olhos dos que me amaram.Antigamente pensávamos que seríamos velhos felizes... Eu fui, entretanto contigo não pude compartilhar essa felicidade. Lembro-me da tarde dezembrina há 38 anos em que dissestes que para sempre queria viver, oh, tolice da juventude. No final do dia senti você ir embora, mas não pude dizer adeus. O mundo pareceu tão remoto a mim... Eu transparecia austeridade e aversão, mas meu coração ainda estava em ti. E continuou no mesmo lugar.
Agora estou aqui, vivendo de uma fotografia, não sobrou nada além de cacos do que restou de nossas vidas. Tantos anos nessa condição, por que tenho que levar lenta essa dor? Qual o motivo? Meu coração sangra, inevitável é o transbordamento. Tu foste embora, deixou-me, mas nunca abandonou-me, eu sei.
As crianças olham-me com carinho e dizem pra eu viver. Pobrezinhas elas que não têm noção do que sinto, são tão pequenas pra notar minha aflição. Mesmo desejando a felicidade delas, não quero adiar nosso encontro. Um dia alguém aparecerá em suas vidas e lhes revelará o mundo como tu fizeste a mim.
Nessa cama tive tempo para refletir sobre meus erros, e arrepender-me, tardiamente, dos disparates por mim incumbidos. Um leito alvo e triste, onde posso sentir também que nosso encontro está mais próximo, todavia espero ver-te jubiloso e remissivo como era há 38 anos.
Vejo-te no céu, num futuro iluminado de estrelas, onde viveremos para sempre. Vejo-te no passado, correndo nas desmedidas plantações de trigo em nossa infância. Vejo-te partindo novamente, mas não quero enxergar tão duro fardo. Fugi da dor e remediei meu corpo, não foi certo, poderia eu desculpar-me com isso? Tantas saudades e o vazio que sinto é o mesmo d'aquela noite, onde despedí-me pela última vez de ti sem quaisquer adeus falar.Tudo, portanto, que tenho a dizer-te, é a frase que proferiu-me tu quando achei que não merecia eu teu enternecimento. Então a declararei com meu coração vejo-te no céu, ó, minha paixão."
13/02/2012
Nenhum comentário:
Postar um comentário